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9 de fevereiro de 2016 - 12:33F1

Outra categoria

“Ela era 12s mais lenta do que eu no simulador”

SÃO PAULO | A frase é de Marco Sorensen, dinamarquês que fez parte, junto de Carmen Jordá, do time de pilotos da Lotus na temporada passada. Ele está amargurado por não ter tido a chance de seguir no projeto e em busca de um lugar na F1 enquanto Jordá está lá — ela continuará com a Renault em 2016.

Não é que Sorensen falou em décimos, em um ou dois segundos. Ele disse que Jordá era DOZE segundos mais lenta do que ele.

OK, que seja mentira, que ele esteja exagerando em uns seis segundos… Eu nunca tive dúvidas de que o que Jordá acrescentava à equipe era marketing — retorno de mídia excelente, afinal, ela aparece na TV em praticamente todas as sessões de treinos livres.

Jordá, antes de “chegar à F1″, andou por três temporadas na GP3 e sequer pontuou. Já era um indício claro de que não se tratava de uma questão técnica. Mas a contratação de uma mulher por uma equipe de F1 sempre chama a atenção, naturalmente. São poucas na modalidade, é uma barreira que precisa ser rompida e que envolve toda uma discussão social — o grande ponto é que poucas meninas começam cedo no kart porque é “coisa de menino”. Não é algo que elas são incentivadas a procurar. Depois de dado este passo de ingressar no esporte, o diagnóstico que elas mesmas fazem é que a preparação precisa melhorar.

Na F1, já se vão quatro décadas desde que uma mulher não disputa um GP, e 24 anos desde que uma mulher foi titular pela última vez. Nos últimos anos, Susie Wolff, na Williams, acabou sendo uma boa embaixadora para mulheres no esporte. Quando andou nos treinos livres, mesmo que não mostrasse enorme talento, ainda foi capaz de acompanhar o ritmo.

Agora, a partir do momento em que se tem uma mulher contratada como pilota — é pilota mesmo que se deve dizer — em uma equipe de F1, mas que não tem a mínima capacidade de exercer a função, até que ponto se passa uma imagem positiva? Outra: é machismo ou feminismo acreditar que isso é importante? Ela foi colocada lá para preencher uma “cota”?

Hoje, querendo ou não, Jordá é a referência que o mundo tem em termos de mulheres no esporte a motor. Sei que há mulheres em outras categorias, de duas e quatro rodas, que Laia Sanz tem uma história monstruosa no motocross e no rali, mas é para a F1 que se olha, e lá a referência é péssima. Jordá mais ajuda a reforçar o estereótipo de que mulheres não dão conta de pilotar do que serve como exemplo e inspiração para outras garotas. Tenho minhas dúvidas sobre o quão válida para a causa é a presença dela na F1.

Eu era contrário, mas cada vez mais creio que categorias só para mulheres seriam uma boa. Há mulheres que são capazes de andar no mesmo ritmo dos homens — Danica Patrick chegou a vencer na Indy. Por outro lado, se é preciso incentivar meninas a entrarem no esporte ainda quando crianças (e, claro, mostrar para seus pais que há espaço e que vale deixá-la sonhar), campeonatos apenas para mulheres teriam validade. É aumentando a amostragem que crescerá a probabilidade de surgir uma mulher realmente capaz de alcançar a F1.

E, se a gente for parar para pensar, a Jordá já está em outra categoria.

ATUALIZANDO…

A Jordá disse que é mentira que ela foi 12s mais lenta que o Sorensen e garantiu que andava a “mais ou menos um segundo” do Romain Grosjean. Adendo feito, mantenho o restante da argumentação: uma categoria à parte para mulheres serviria para que mais garotas se interessassem pelo esporte e começassem a praticá-lo ainda na infância. E é a partir daí que as mulheres vão começar a ganhar espaço para correr entre os homens na F1.

7 comentários

  1. Formiga disse:

    Caro Renan

    Parabéns pelo Blog e pelo trabalho no GP. Acho que a busca pela igualdade a qualquer preço está mais atrapalhando do que ajudando as mulheres. As mulheres são biologicamente diferente dos homens em vários aspectos. Em diversas situações elas são superiores em outras elas não são tão aptas. Nos esportes em geral existe separação, uma exceção é o hipismo, onde pressupõe-se que o atleta é o animal. No automobilismo de hoje o preparo físico requerido é muito maior do que há 20 ou 30 anos. Os pilotos de hoje são literalmente atletas que treinam muito e onde apenas o talento não é suficiente. Assim, neste mundo em que o físico é item essencial para uma boa performance, o espaço de igualdade das mulheres diminui, sendo preciso recorrer a uma separação como você corretamente propõe.

    Em tempo, veja esta reportagem sobre as mulheres nas forças armadas:

    http://www.defesaaereanaval.com.br/chega-de-igualdade-mulher-nao-da-para-ser-soldado-diz-capita-dos-marines/

    • Pelo contrário, Kleber. Os pilotos de F1 têm dito que o único circuito desgastante fisicamente é o de Cingapura. É raro se ver pilotos saindo do carro como o Senna na África do Sul em 1994 ou na primeira vitória no Brasil. Acredito que o automobilismo se parece com o hipismo nesta questão. Sugiro por acreditar que ter uma categoria de carros só para mulheres vai estimular a entrada de mais meninas no esporte.

  2. Claudinei disse:

    Como não apareceram provas cabais(dados do simulador) a respeito das declarações feitas por ambos é a palavra de um contra a do outro. Mas pelo histórico da moça em questão acho que o rapaz não mentiu não. Ex: http://www.gp3series.com/Results/?raceid=951&seasonid=171 . E na maioria das corridas de gp3 que ela recebeu a bandeirada ela foi última ou penúltima. Culpa do carro? Dean Stoneman pegou o carro dela nos dois últimos gps(4corridas) de 2014 e tirou 2 primeiros , 1 segundo, na outra abandonou quando era o segundo colocado. Claro ela tem seus “méritos” por chegar aonde chegou, mas obviamente não foi por talento.

  3. Paulo Pinto disse:

    De mentirinha ou não, a presença feminina é sempre bem vinda.

  4. Lucas disse:

    Cara, arruma matéria que você fez do Earnhardt, ele é tricampeão da Nascar, o hepta e maior campeão é o Richard Petty

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